sexta-feira, 6 de setembro de 2013

"Webnovela - Caminhos"




Capítulo 1-


Eu era só mais uma garota, com uma vida comum, e com problemas comuns que qualquer adolescente tem. Mas um dia isso tudo mudou.Havia terminado o ginásio e estava esperando a respostas de meus exames, sabia que tinha conseguido entrar para a faculdade, eu sentia que eu conseguira entrar para uma das maiores universidade da Califórnia- O Instituto de Tecnologia da Califórnia.


Meus pais estavam orgulhosos. E ai admito que estava muito satisfeita comigo mesma. Afinal, se me formasse com graduação poderia fazer o curso que queria.Meu pai era um piloto da Força Aérea, e o pai dele também foi. É meio que coisa de família. Mas eu nasci mulher, e definitivamente voar não era pra mim. Já estava nervosa com o fato de que teria que pegar um de vôo de dez horas da Califórnia até a Inglaterra. Meus avós moravam lá agora. Quando vovô saiu da Força Aérea, ele disse que a Inglaterra era um lugar mais tranqüilo, e ale havia conhecido outro piloto que morava lá, um inglês chamado Richard, que o convenceu que Londres era a cidade para quem quer tranqüilidade e boas coisas. Pelo menos uma vez por ano íamos visitar meus avós, e sempre mantínhamos contato com a família do amigo do vovô. Richard também tinha uma filha, da idade de papai, Anna. E ela se casou e teve um casal de filhos, Jessica e Johnny. Sempre os visitávamos quando estávamos na Inglaterra. Jéssica era muito divertida, mas Johnny era o que se pode chamar de garoto problema. Um garoto metido a valentão e muito chato. Sempre implicava comigo.


Dentro do carro de papai, a caminho do aeroporto eu já estava nervosa demais com o vôo. Meu pai tinha um motorista pra onde ia por causa do seu cargo no trabalho. Nunca gostei de voar, meu pai dizia: Mas a história da nossa família tem sido na Força Aérea America desde sempre, praticamente nascemos voando.Mas pra mim eram só palavras. Eu enjoava, e sempre me sentia como se pudesse explodir a qualquer momento. Com o passar dos anos havia adotado a técnica de que eu ia ver qualquer filme idiota no vôo pra que não pensasse no avião em si. Nem sempre dava muito certo, mas era melhor pensar em como as companhias aéreas nos proporcionam filmes tão chatos, do que o avião caindo e matando todos.


Vovô era um homem muito imponente, sempre brincalhão e contando piadas, mas a postura militar empunha respeito. A vovó era... A vovó. Cozinhava como ninguém e ainda gostava de me levar no salão em Londres pra fazer as unhas. Minha vó era muito vaidosa, apesar da idade. Eu tinha acabado de completar dezoito anos, e me pai prometeu me ajudar a comprar um carro. A Universidade não ficava tão perto de casa, e eu ia morar no campus, então eu queria ter um carro, pra quando quisesse sair ou ir pra casa nos feriados. 


A Caltech, como é conhecida, era uma das primeiras universidades do mundo em pesquisa, responsável pelo projeto e operação da maioria das sondas da NASA. A melhor Universidade do mundo no momento. E eu tenho certeza queentrei por meu mérito. Eu estudei muito pra que meu pai não tivesse que usar sua inflência para me fazer entrar.Eu sei. Não gosto de voar, mas quero mesmo fazer uma nave ou uma sonda. Papai fez ligações pra todos que conhece na Força Aérea, ele é enfluente, nossa família tem tradição lá. Mas eu não quero entrar na Caltech pelo apoio do meu pai, e sim porque eu mereço estar lá. É oque quero fazer. Ser projetista de sistemas, basicamente você cria todos os camandos de uma nave, e todos os demais sistemas que podem ser usados pra voar além da nossa órbita terrestre.Bem, eu não serei piloto como meu pai e meu avô e o pai dele a ssim por diante, mas vou construir quase tudo em que alguém vai poder voar daqui a uns 25 anos. É meu sonho, e de certa forma, meu pai aceitou como sendo o dele também, para mim.Mas esse verão eu realmente não queria ir pra casa dos meus avós. Minhas amigas iam viajar pra praia, e me convidaram. A mãe da Lethi tem uma casa na prai, mas papai não abre mão dessa viagem anual pra Inglaterra. Eu ainda tentei argumentar dizendo que agora eu era maior de idade, mas ele sabe jogar sujo. Me prometeu mais da metade do valor de carro, se eu fosse. Então eu estou no banco de trás do carro que acabou de estacionar na entrada do aeroporto, de bico fechado e cara amarrada. Mas sei que quando voltarmos pra casa eu vou ter meu próprio carro. Provavelmente o vovô vai me dar o resto do dinheiro par comprar o carro, e acho que com oque eu economizei posso comprar um um modelo novo.Um esporte caro.


-Lexi, quer que eu leve sua mochila? –Meu pai perguntou.


Ele e mamãe sempre me chamaram de Lexi, mas meu nome era Alexandra. Os únicos que me chamavam pelo meu nome inteiro eram vovó Bell - Seu nome era Belinda, mas ela odiava que lhe chamassem assim- E vovô Joseph. Meus amigos também me chamavam de Lexi e eu já me costumei com o apelido. Tanto que quando me chamavam de Alexandra em algum lugar às vezes eu nem me dava conta de que estavam falando comigo.


-Tudo bem pai, eu levo. –Respondi a papai. Peguei meu celular e coloque meus fones no ouvido. Detesto a gritaria de aeroporto, prefiro ouvir música.


-Tom, pegou as passagens? Eu coloquei no porta-luvas. –Mamãe perguntou a meu pai.


-Claro, coloquei no bolso do meu casaco. –Ele se virou para que minha mãe pudesse pegar as nossas passagens no bolso do casaco dele.


-Estamos no horário. Vou comprar café, Lexi você quer? –Minha mãe se virou para me perguntar.


-Claro, melhor do que ver o pai tentar enfiar todas essas malas em um carrinho. –Respondi. Geralmente sempre que saíamos tínhamos pessoas pra fazer coisas por nós, meu pai tinha um cargo alto no trabalho, mas quando estávamos como civis papai gostara que fossemos somente nós. Hoje eu estou irritada demais. Vou alfinetar meu pai só por vingança, por ele ter me subornado com um carro, pra que eu viaje.


Segui minha mãe pela entrada, passamos pela multidão de gente que ia e vinha, e fomos a uma cafeteria. Minha mãe pediu dois cafés pretos médios, pra ela e meu pai, e eu pedi um cappuccino grande. Pegamos os cafés e fomos encontrar meu pai no saguão do aeroporto. Realmente eu me surpreendi, ele conseguiu empilhar as quatro malas que minha insistiu em levar, todas em um único carrinho. Nos encontramos com ele, e fomos fazer o check in. Depois de vinte minutos estávamos em nossas poltronas. Tive que desligar meu celular. E me preparei para a tática do filme chato no avião. Eu nunca vou ser como meu pai. Ele sempre dorme o vôo inteiro, e ainda ronca. Coitada da minha mãe.Dez horas de vôo e eu precisava esticar as pernas. Peguei uma revista de viagens e tentei achar algo interessante, mas minha tentativa foi nula. Durante o vôo eu me recuso a comer qualquer coisa, pois posso acabar por vomitar tudo de tanta náusea.Finalmente ouvimos uma voz dizendo que o avião estava pra pousar no aeroporto de Londres. Dei grassas a Deus por poder por meus pés em terra firme outra vez. E também depois de dez horas se comer nada eu estava com fome. Passamos pelo saguão e logo vimos e vovô nos esperando. 


-Alexandra! –Vovô disse com excitação. Eu o abracei e lhe deu um beijo na bochecha.


Meu avô não mudou nada desde o ano passado. O mesmo tipo firme e barriga pôs-aposentadoria. Meu pai sempre diz que depois que eu nasci o vovô passou a ignorar ele, e toda a atenção passou pra mim. Na verdade eu acho que meu pai foi mimado por meus avós, porque é filho único. 


-Oi pai. – Meu pai abraçou o vovô. 


Eles eram muito parecidos. Olhos azuis, altos, cabelos grisalhos (meu avô tinha cabelos brancos, meu pai tinha o que ele gostava de chamar de- charme da idade. Mas pra mim eram apenas seus cabelos que estavam ficando brancos também), só que meu pai ainda não tinha a barriga de aposentadoria do vovô. Minha mãe também beijou o vovô e perguntou logo da vovó. Elas sempre se deram bem. Na verdade minha avó era tão alegre, tão falante, fazia amizade com todos. Era muito jovial. Quando eu era pequena adorava dormir na casa dela. Ela fazia guerra de travesseiro comigo. Sempre quando penso na vovó quando tinha a minha idade, eu acho que ele deveria ser a rainha da popularidade no colégio.Depois que paramos em uma lanchonete na saída do aeroporto pra eu comprar um sanduíche, fomos direto pra casa dos meus avós. Eles tinham uma casa grande em Kingston, perto to rio Tâmisa ao barulho do Soho no coração da zona 1. É um bairro caro de Londres, e vovó escolheu a casa porque o Tâmisa, segunda ela, é muito encantador.Nossa família não era milionária, mas também não éramos pobres. Quando meu avô se aposentou ele era Major. Bem na verdade ele não se aposentou, só não está mais na ativa. A idade chegou e ele está na reserva. Por isso tem muita influência junto a Força Aérea ainda. Meu pai é Coronel, ele comanda uma divisão inteira. E metade das forças do Golfo. Por isso só consegue tirar férias uma vez por ano, isso é, quando consegue. Mas ele diz que não pretende nunca sair da ativa, quer chegar a Major como o vovô. E depois secretário de Defesa. Ele vive dizendo: O país nunca vai andar com tanta gente estúpida dando ordens.


-Margareth. –Meu pai chamou a atenção da minha mãe pra que ela visse o Tâmisa.


Vovó tinha razão, era realmente maravilhoso. Meu pai estacionou o carro e descemos. Vovó que tinha ouvido a motor do carro, abriu a porta da frente, e logo abriu os braços pra que eu pudesse abraçá-la.


-Vó! –Eu disse entre os beijos que minha avó sempre me dava depois de um longo tempo sem me ver.


-Você está linda Alexandra. –Ela me soltou do seu aperto.


-Bell, cada dia mais jovial. –Minha mãe lhe deu um abraço.


-Meg. Você emagreceu. Não está comendo direito? Não deixe o Tommy de fazer de escrava do lar.


-Mãe, não comece a por minha mulher contra mim. –Papai abriu um largo sorriso.


-Tommy que rosto mais enrugado, daqui a pouco vou te confundir com seu pai.Nós todos entramos. Vovó trouxe chá gelado para todos, e alguns dos seus deliciosos salgadinhos. Sentamos na sala. Vovó era muito cuidadosa com tudo. 


-Judy! –Papai tascou um beijão no rosto da empregada.


Judith era empregada dos meus avós desde que meu pai era adolescente. Ela nunca se casou e não tinha filhos; quando vovó decidiu que ia aceitar morar em Londres, a primeira coisa que fez foi convidar Judith para ir com eles. Ela era da família para todos. Vovó sempre quis comprar-lhe uma casa lá em Londres, mas ela dizia que não queria morar sozinha. Na verdade pra ela vovó era como uma irmã. E pra vovó também. Meu pai era apegado a ela, como se fosse sua tia.-Lexi, como está adulta. Tommy veja, ela graças a Deus não te puxou moleque. Você era muito feio quando tinha a idade de Lexi. –Judy brincou com papai.Depois de pormos o papo em dia, fomos nos acomodar. Eu tinha meu quarto na casa dos meus avós. Meus pais dormiam no quarto de hospedes. Meu pai sempre dizia: Porque Lexi tem um quarto, e eu e Margareth não? -Puro ciúme da vovó comigo.Joguei minha mochila sobre a cama e olhei pela janela. No canto, do outro lado do quarto perto de uma escrivaninha havia um pôster do Paramore. Eu tive minha época para curtir várias bandas. Agora estou mais light. Alguém bateu na porta. Era a vovó.


-Querida, eu mudei as cortinas e colcha pra você. –Eu nem havia reparado.


-Há... Obrigado vovó. – Realmente vovó tinha bom gosto em tudo. A colcha era violeta, com os lençóis de baixo brancos. Muito bonito.


-Querida, porque não vai à casa de Jessica. Aqui nesta casa você só vai encontrar velhos. –Ela deu um sorriso amoroso. –Ela esteve aqui semana passada com a mãe. Sabe ela está pensando em ir estudar nos Estados Unidos. Não seria bom se vocês pudessem dividir um apartamento?


-Hum, vou pensar sobre isso vovó. Acho que vou tomar um banho agora, dez horas enjoado naquele avião, e eu estou cansada. Depois eu vou ligar pra ela vovó.


-Tudo bem querida. Descanse. –Ela saiu do quarto fechando a porta atrás de si.


Tomei um banho e enrolei a tolha nos cabelos molhados. Pensei em ligar pra Jessy, mas desisti, estava cansada demais. Me joguei na cama e acabei dormindo. O vôo realmente foi cansativo.Quando acordei já era manhã do outro dia. O sol que transpassava as cortinas e me incomodava. Decidi levantar. Arrumei-me desci pro café. Das escadas, o cheiro das panquecas da vovó já inundava a casa inteira. Meu avô estava sentado na mesa do café com um jornal acima dos olhos, só se podia ver suas sobrancelhas. Papai sentado de ao vovô exatamente igual ao pai. De repente minha vó saiu da porta da cozinha com uma bandeja de panquecas e colocou uma para vovô e outra pro meu pai. 


-Sente-se querida. Fiz panquecas. –Fiz como ela pediu e ela depositou uma panqueca em meu prato.


Deliciosas como tudo que minha vó cozinhava, as panquecas eram sua especialidade.

Depois de uma roda de panquecas da vovó pra todos eu estava cheia demais.


-Ei pai, vou à casa da Jessie. –Eu disse me levantado da mesa do café.


-Mas já? Não está muito cedo? –Meu pai fez questão de perguntar.


-Bem, de acordo com o meu relógio são 11 horas da manhã. Beijos a todos. –Eu sai o mais rápido que pude. Meu pai tinha um tipo irritante que alongava conversas.


A casa dos Thompson era a duas quadras dali, então fui caminhando. O ar puro e a brisa leve daquela manhã me dominaram. Pessoas caminhando, indo a seus trabalhos, indo passear, indo sair.A casa de Jessie era tão grande quanto à dos meus avós. Toquei a campainha.Derek, o pai de Jessie atendeu.


-Lexi! –Me recebeu com um sorriso. –Entre, sua avó ligou dizendo que estava vindo.


-Oi Senhor Thompson. Nossa, a vovó é fofoqueira. Como está?


-Bem, e você cresceu mocinha. Então trouxe algum rapaz de sorte como seu namorado, pra nós conhecermos? –Completamente vermelha, tentei responder, mas alguém desagradável demais respondeu por mim.


-Namorado?! Ela não tem um, pai. –Johnny era irritante. Ele estava entrando atrás de mim pela sala. Virei-me pra olhá-lo.


Levei um choque. Jonathan Thompson, outra hora espinhoso, agora era um homem, nem sei como descrever. Talvez a palavra seja- Perfeito. -Mas que coisa idiota eu to pensando! Ele continua o mesmo idiota. -Fiz uma cara de desprezo tirada não sei da onde e lhe disse: Johnny o espinhoso! Não mudou nada.


-Bem crianças, vejo que estão amicíssimos. Lexi essa casa é sua, Jessica está na academia, mas deve estar pra chegar, pode esperar por ela. Jonathan faça companhia a Lexi, eu tenho que ir trabalhar. Só estava te esperando chegar Lexi, sua avó tinha ligado. –O senhor Thompson me disse. –Fique a vontade Lexi. Bom te rever. –Ele abriu a porta e já ia saindo, mas voltou de repente. –Há, lembrei, diga a seus pais que venham jantar conosco no domingo. –então ele se foi.


-Uh sozinhos! –Ele agitava as mãos como um idiota tentando me intimidar.


-Deixa de ser idiota. 


-Só to implicando com você mimadinha. Quer beber alguma coisa? Prometo não te dar veneno. –Aquele sotaque britânico carregado de ironia. Palavras saindo daqueles lábios, que eu não pude deixar de reparar, eram lindos.


-Refrigerante, por favor. –Disse tentando parecer entediada.


-Sim senhorita. Vamos lá na cozinha. –Ele me pegou de surpresa. Segurou minha mãe e me levou até a cozinha. Não pude evitar, eu sabia que estava vermelha.


A senhora Thompson havia feito recentes reformas na casa, e a cozinha estava maior. Havia um grande balcão perto da pia. Puxei uma cadeira e me sentei encostada perto do balcão.


-Então princesinha. Você cresceu. Se eu não conseguisse reconhecer essa covinha na sua bochecha em qualquer lugar, ia achar que era outra pessoa. –Ele disse enquanto me entregou um copo. Depois abriu a geladeira e pegou uma lata de coca. Ha abriu e encheu o meu copo, depois bebeu o resto que estava na lata.


-E você continua o mesmo, espinhento. A não ser por estar mais alto. –Tomei um pouco da minha coca.


-Não tenho espinha há mais de dois anos. E eu sei que você notou, então pode parrar de me chamar de espinhento. Mas então, a sua avó disse que você vai para a faculdade no próximo ano. O que vai cursar?


-Eu vou para a Caltech, vou fazer projeção de sistemas. –Disse cheia de mim. -E você vai dar algum rumo pra sua vida? 


-Acredite, você está olhando pra o mais novo cadete da Força Aérea Real Britânica. Acabei de saber que eu entrei. Bem o meu avô serviu de lá então não foi difícil. Ninguém sabe ainda, acabei saber a resposta. –Ele parecia um menino.


-Nossa, meus parabéns. Nunca achei que esse fosse seu sonho. 


-Prova de que você não sabe nada sobre mim. Ei olha, porque não sobe e fica esperando lá no quarto da Jessie, e vou tomar um banho.


-Ham, não sei, será que ela não vai se importar?


-Claro que não mimadinha. Vem. –Outra vez ele pegou minha mãe e saiu me arrastando pela casa. Abriu a porta do quarto de Jessie.


Subimos as escadas e ele abriu a segunda porta no corredor, este era o quarto de Jessie. 


-Pode entrar, eu vou tomar um banho. Uns amigos vão sair pra comemorar. –Ele fechou a porta.


O quarto de Jessie não era mais como antes. Lembro que ela tinha um pôster enorme colado no teto. Agora não havia nada. Um armário, e havia uma prateleira cheia de livros e uma escrivaninha com um notebook. A cama que era cheia de ursos, agora só tinha uma almofada de coração. Reparei nas sapatilhas de balé jogadas no canto. Jessie sempre adorou dançar, mas será que tinha se tornado profissional?A porta abriu, e ela tomou um susto ao me ver. Corri para abraçá-la.


-Magrela! –Disse entre o abraço.


-Nossa você veio. Achamos que nem te veríamos mais em Londres. Seus avós contaram que estava estudando pro entra na Universidade. 


-Estava, eu acho que entrei, na verdade, se não entrar papai da um jeito. Nossa como é bom te ver.


-Eu sei, sou um colírio. –Ela fez cara de metida. Rimos juntas. –Acabo de chegar da academia.


-É sei, seu pai disse. Nossa você esta gata hem. –Eu disse.


-Para, eu sei. E você também, seu cabelo está lindo comprido assim. Senta aqui amiga me conta tudo que você tem feito. –Ela me arrastou para a cama. Jessie sempre foi tão alto astral, era fácil falar com ela sobre quase tudo. Conversamos e lembramos os gatinhos que paquerávamos nas férias, quando éramos mais novas. Jessie contou que quer seguir a carreira de bailarina. Disse que está pensando em mudar pros EUA, para um programa de intercâmbio em diversos estilos de dança. Conversamos sobre tudo.


-Mas então amiga, você não tem namorado? –Jessie perguntou enquanto enfiava um biscoito na boca.


-Não. Não encontrei ninguém que valesse à pena e você?


-Eu terminei com o Mick há alguns dias, ele é muito infantil. E com os meus planos de mudança não posso perder meu tempo com namorado de colégio. Namoramos dois anos e ele disse que queria se casar, e que moraríamos aqui. Eu disse: Nunca! Quero me dedicar a minha dança. Minha mãe me apóia, mas papai está receoso com a mudança. 


Johnny abriu a porta.


-Ei, vou ao Denner, querem que traga algo pra vocês? –Ele perguntou.


-Johnny, já viu Lexi? -Jessie perguntou.


-Claro. Quem você acha que ficou com ela quando o pai saiu?! Tenho que ir, tenho um encontro, trago pizza pra mimadinha. –Ele piscou pra mim. Droga porque ele tinha ficado tão lindo e tão irritante ao mesmo tempo.


- Ei, encontro? Sua namorada sabe? –Jessie fez uma caricatura de si mesma que me fez segurar o riso.


-Como os americanos dizem: Baby o que os olhos não vêem não se sente. Tchau. –Ele se despediu a saiu apressado.


-É, esse é o Johnny. Um canalha. Pobre daquela chatinha da namorada dele.


-Quem é? –Perguntei curiosa.


-Jennie. Já está na universidade. Mas ele a trai com tantas quanto pode. Homens. –Ela deu de ombros.


-Ele mudou né. Quer dizer, ele está ficando...


- Eu sei, ele é bonito e as garotas caem em cima, que posso dizer?! Ele puxou a mim. –Ela riu.


-Ta bom. Ei, porque não me leva pra um tour por algum lugar legal daqui? –A ultima coisa que queria era vir a Londres e ficar dentro de casa o tempo todo.


-Há podemos ir encontrar o Johnny no Denner. É um clube aqui perto. Papai é sócio, e esta época tem uma pista de patinação no gelo. Você iria gostar.


-Há mais hoje não, estou totalmente desarrumada. Que tal amanhã?


-Combinado, passo na casa dos seus avós pra te pegar. Vamos ao café da esquina tomar alguma coisa? Meu amigo Chris trabalha lá.


-Claro. –Jessie pegou sua bolsa e saímos.


Andamos uma quadra até o café do amigo de Jessie. Sentamos em uma mesa e esperamos um carinha vir anotar nosso pedido.


-Olá moças, Jess te liguei ontem. –Chris era o que se pode chamar de carinha fofo. Cabelos negros e olhos verdes, alto e atlético, a perfeita combinação.


-Chris eu vi sua mensagem, acredita que Julian ainda estava no telefone chorando porque Matt terminou com ela? –Jessie era mesmo intima de Chris.


-Ela não se toca, esse cara é um babaca. Ei, quem é sua amiga?


-Há desculpe, essa é Lexi, filha de amigos de minha família. Ela é americana.


-Olá linda. Americana hem?! Os Estados Unidos são mesmo um país de elite. –Ele deu um sorriso safado.


-Pode-se dizer que sim. Tudo bem? –Respondi retribuindo o sorriso.


-Melhor agora, com duas gatinhas como vocês sentadas na mesa que eu atendo. O que vão querer?


-Café médio e você Lexi?


-Descafeinado grande.


Conversamos sobre tudo, colocamos a papo em dia. Mas ficou tarde eu me despedi e fui pra casa dos meus avós.


-E aí querida, conversou com Jessica? –Minha mãe perguntou quando entre pela porta da sala. Todos estavam sentados na sala de estar conversando.


-Sim ela ta legal mãe. Eu vou subir pra tomar um banho e já venho.


Subi as escadas e fui para o quarto. Tomei um banho, mas não quis descer, preferi ligar pro Mike, meu amigo mais antigo. Fomos vizinhos a vida toda. Então liguei e contei da viagem e ele me falou como estavam as coisas em casa.No dia seguinte acordei e tomei meu café com todos. Conversamos muito e vovô disse que planeja nos visitar no meio do ano. Depois Jessie me ligou pra saber se estava de pé nossa saída para o clube de patinação, e eu confirmei. Então no final da tarde Jessie passou para me apanhar.

-Oi pequena.


-Oi Jess. –Coloquei o sinto. –Ei eu falei com papai sobre você ir molar na Califórnia comigo. Podíamos dividir um apartamento. Acho que vai ser legal.


-Puxa eu adoraria. –Ela deu a partida no carro.


O clube não ficava longe. Logo chegamos. Jessie entregou as chaves ao manobrista que ela também conhecia.Pegamos os patins no balcão e fomos a pista. Eu assumo, era péssima nisso.


-Jessie eu não tenho o menor equilíbrio.


-Há depois você pega o jeito. –Ela disse enquanto patinava como um profissional. –Ei é o Mark! –Ela apontou um garoto loiro com mais dois meninos, que estavam encostados nas grandes na saída da pista. –Olha, fica aqui e tentar não romper o baço. Eu vou ter uma conversinha com aquele ali. –Ela saia cantando pneus.


Eu tentei me equilibrar e até estava pegando o jeito. Achei que depois de um tempo não seria tão difícil, então decidi ver se conseguia dar uma volta sem segurar em nada. No começo eu fui, mas no meio do percurso eu perdi meu equilíbrio. -Droga vou levar um tombo!- Eu pensei. Meus pés se moviam rápido demais pra quem não sabia o que estava fazendo. Sai dispara e ai dar com a cara nas grades, na verdade eu fechei meus olhos e tentei me preparar para o impacto. Mas... Ele não veio. Primeiro não entendi, só fiquei parada com os olhos fechados. Mas depois sentia que algo me segurava. Algo não, alguém. Ainda cheia de adrenalina abri meus olhos. Fiquei pasma. Mas eu estava em seus braços. Ele ainda me mantinha segura sobre seu aperto. Quando eu finalmente ergui meus olhos para vê-lo, eu pude ver aquele sorriso. Mas nem assim ele me deixou.


-Te peguei mimadinha. –Ele me disse, ainda sorrindo. –Cuidado, pode se machucar. E nós não queremos isso, não é mesmo?! 


-Nossa Johnny, eu... Acho que foi por pouco. Obrigado. Você apareceu tão rápido. –Disse ainda ofegante, então ele finalmente me deixou ficar de pé sem que ele me segurasse.


-Você ia levar um baita tombo, arrisco a dizer que ia dar de cara nas grades e quebrar o nariz. Mas você é péssima com patins.


-E você não precisa me dizer isso, eu já descobri. –Eu disse sem graça.


-Há, qual é não faz beicinho. Eí quer dar uma volta? Eu tiro você dessa deprê rapidinho! –Johnny disse com animação e um sorriso, que eu podia jurar, ele só deu para que eu ficasse derretida.


-Não to deprê. Estou bem. –Eu disse fazendo uma cara de superior.


-Sei, então fica esperando ela. –Ele apontou com o queixo para Jessei que estava discutindo com o menino chamado Mark, num canto. –Aquilo é briga antiga. O Mark é um babaca que namora uma amiga da Jess, só que ele namora mais umas três também.


-Sei. Meio seu tipo né? –Fui sarcástica.


-Ai, essa doeu! –Ele fez uma falsa cara de ofendido. –Não me compara com aquele cara. E quem disse que eu namoro todas?


-Bem é que...


-Jess disse. É mentira, fique sabendo. Eu tinha uma namorada, mas eu acho que é perda de tempo agora. Vou para a base aérea em dois meses, e não terei mais tempo pra namoro. Então eu sou solteiro, por isso eu fico com quem eu quero. Mas isso não me qualifica como...


-Um galinha? –Eu desafiei outra vez.


-Olha mimadinha, não nos vemos a três longos anos, e da ultima vez que me viu, eu tinha espinhas. E você não tinha seios, por tanto acho que posso dizer que você não sabe nada sobre mim. –Isso me deixou sem graça. Eu realmente estava bancado a doida.


-Desculpe. Não quis ofender.


-Não ofendeu, mas não fica acreditando no que a Jess diz. –Ele olhou pra onde Jessie ainda estava em uma ávida discussão. –Ela é uma doida.


-Acha que aquilo ainda vai demorar? –Me referi à discussão.


-Provavelmente. Então até mais. –Ele ia saindo mais se virou. –Ei, a propósito, que seios! –Ele sorriu descaradamente e foi.


Nossa! Ele falou mesmo dos meus seios?! Mas que descarado. Quer saber espinhento? Porque não?! –Eu pensei. Então resolvi que ia atrás dele. Jessie estava muito ocupada mesmo com o tal do Mark. Sai da pista me equilibrando e larguei os patins com o cara no balcão e corri. O vi entrando no seu carro. Fiz sinal para que ele me visse antes que entrasse por completo.


-Ei espinhento! –Eu chamei, então ele me olhou.


-Resolveu aceitar o meu convite? –Ele gritou pela janela do carro. 


-Sim, é melhor que ficar esperando briga alheia. –Abri a porta e sentei no carona.


-Também acho. Então hoje é sábado, o que quer fazer? –Ele perguntou enquanto ligava o carro.


-Bem, lembra que sua mãe nos levou uma vez a Millennium Wheel?! Gostaria de tirar fotos, trouxe minha câmera na bolsa. O que acha?


-A roda gigante do milênio? Tem um ano que não vou lá. Levei minha ex lá uma vez. Tudo bem. Mas você pode chegar tarde? Porque já passa das 6 da tarde, e daqui até o centro vamos demorar um pouco.


-Tudo bem, estou de férias mesmo. –Ele ligou o carro e fomos.


-Então você vem aqui sempre, quer mesmo fazer passeios turísticos?-Não. É que eu vou pra faculdade e quero ter fotos legais pro meu novo apê que vou dividir com sua irmã.


-Minha irmã? Então aquela doida quer mesmo ser dançaria. Ela vem dizendo a papai que vai morar na Califórnia em breve por causa de uma escola de dança que tem lá.


-Eu acho que será mais fácil pra mim do que morar no campus da faculdade.


-Então vai mesmo realizar seu sonho? –Ele olhou pra mim.


-Sonho? –Indaguei.


-Desde que te conheço você diz que vai fazer “As coisas que vão para o espaço”. -Ele riu.


-Há isso foi quando eu tinha onze anos. –Ri também. -Mas eu já sabia, eu queria fazer uma nave. Minha família está na Força Aérea, mas eu não nasci pra voar, então porque não construir uma nave? Ainda estaria ligada a aviação. E eu sou realmente fascinada pelo espaço.


-Acho que é um bom sonho. Você sempre foi inteligente. 


-Cuidado ou posso achar que você está me elogiando. –Eu zombei.


-E nós não queremos isso não é mesmo?! –Ele riu ironicamente.


-Mas e você, vai para a base porque você quer ou só porque quer realizar o sonho do seu avô?


-Os dois. Eu realmente quero pilotar um caça, mas também quero fazer isso pelo vovô. Você sabe como ele é frustrado por mamãe nunca ter se interessado por nada disso. Quer dizer, o legado da nossa família foi interrompido. Mas eu gosto mesmo disso. É como dirigir um carro, tão rápido. A adrenalina te faz adorar isso tudo.


-Parece um bom sonho. –Eu disse usando as palavras dele, sobre o meu sonho.


Finalmente chegamos. A London Eye (outro nome dado a Roda gingante) é um dos famosos cartões postais de Londres, apenas o rio a separa do Big Bem. Tirei muitas fotos do relógio também. Era uma volta de 30 minutos que valia a pena. A vista de toda Londres era linda. Em nossa cabine tinham quinze pessoas, era realmente muito espaçoso.


-Então, a minha mãe comentou que não tinha certeza se você viria este ano.


-É verdade. Eu não queria vir, mas meu pai me subornou com um carro. 


-Mas porque não queria vir? Já fazia três anos que vocês não vinham pra cá.


-Não é que não queria, mas logo eu vou pra faculdade. Eu queria aproveitar meus últimos dois meses em casa com meus amigos.


-Com seu namorado? –Ele não me olhou quando perguntou isso. Virou o rosto, e eu fiquei com a impressão de que ele quis evitar o contato visual.


-Não. Eu não tenho namorado. Lembra que você disse isso pro seu pai? –Ergui uma sobrancelha. Mas ele ainda estava evitando o contato visual.


-Eu sempre implico com você mimadinha. Mas é estranho você não ter namorado. 


-Porque?


-Porque você é uma garota bonita. –Ele finalmente me olhou. –E também não é dessas neuróticas que só pensar em ficar magra. Apesar de te achar muito desajeitada. Não sei como você ainda não furou seu próprio olho. –A ironia voltou. –Mas sério, você é legal, e não é dessas que se droga ou enche a cara, ou tranza com qualquer um.


-Sem graça. Mas obrigado pelo elogio. –Eu olhei pro céu. O céu está lindo. –Ele olhou também. –Um dia você vai voar lá. –Disse.


-Um dia te levo junto comigo. –Eu o olhei.


-Eu não gosto de voar. –Disse olhando pras minhas mãos, estava sem jeito.


-Porque?


-Passo mal. Não sei, acho que não nasci pra isso. –Dei de ombros.


-Eu te convenço. –Ele deu um sorriso.


A roda chegou ao fim do percurso. 


-Aí, vamos achar alguma lanchonete, estou faminto. –Johnny pegou minha mão.


-Há... Tudo bem. –Não sei explicar, mas toda vez que ele pega na minha mão me sinto abobada. É como se eu não tivesse o suporte suficiente pra agüentar o toque dele.


Como isso aconteceu? Passei a minha infância e adolescência em uma eterna guerra com ele. Ele sempre colocava chiclete no meu cabelo e me chamava de mimadinha. Agora estamos conversando e falando dos planos pro futuro, rimos juntos e cada vez mais eu quero que a noite não termine.Entramos de uma lanchonete e eu o vi pedir um hambúrguer que eu juro, não achei que nem três pessoas conseguiriam comer. Eu preferi um Milk Shake e batata frita.


-Tem certeza que não quer um desses? –Ele apontou pro prato com enorme sanduíche.


-Melhor não, tenho certeza que com três mordidas eu ia passar mal. - Coloquei maionese e Ketchup na batata. –Mas você come feito louco.


-O que?! Estou com fome! Devia me ver quando fico com muita fome.


-Já vi, uma vez você atirou sorvete em mim, só porque queria que eu te desse o meu.


-Nossa você ainda lembra isso? Tínhamos o que? Dez anos? –Johnny disse enquanto ria da lembrança.


-Acho que sim, mas guardo mágoa até hoje. –Eu disse sorrindo.


-Supere, ou então me atire sorvete também. –Ele deu uma mordida no sanduíche.


-Bom, seria uma boa vingança por você me atazanar quando éramos pequenos.


-Já disse que esqueça as velhas mágoas. Além do mais, não somos os mesmos de antes. Eu não fico mais te perturbando. E você não é mais aquela mimadinha, e também... Ficou muito bonita. –Outra vez ele evitou o contato visual.


-E você virou um cara legal.


Depois de uma hora estávamos dentro do carro de Johnny parados na frente da casa dos meus avós.


-Obrigado Johnny, eu gostei muito de passar esse tempo com você.


-Eu também mimadinha.


-Não perde a mania né? Não sou mimada. –Eu disse com um sorriso torto.


-Eu sei, mas gosto do apelido. Além do mais não posso ser muito legal com você.


-Porque não pode?- Eu indaguei.


-Porque você vai embora logo, daí agente vai ficar bons longos anos sem nos ver. Preciso desse tempo com você pra compensar todo o tempo longe daqui pra frente.


-Mas você também vai pra base aérea. Também tenho que compensar o tempo longe?


-Acho que permito que me chame de espinhento, só pelos velhos tempos. –Ele disse dando de ombros.


-Não precisa. Johnny?


-Diga.


-Nada. Boa noite. –Eu não sabia exatamente o que dizer, fiquei nervosa. Ele me deixava assim. Preferi entrar em casa, antes que dissesse alguma besteira. Mas ele pegou meu braço antes que eu abrisse a porta do carro.


-Posso passar aqui amanhã? –Ele segurou minha mão outra vez.


-Pode... –Mas me lembrei que seria domingo amanhã. Íamos a até a casa dos Thompons. O pai dele havia feito o convite. –Isso é, não pode.


-Por quê? Eu te aborreci? –Ele estreitou as sobrancelhas.


-Não. É que seus pais nos convidaram pra almoçar com vocês amanhã, esqueceu?


-Nossa, esqueci mesmo. Então até amanhã?


-Sim. Eu acho que vou entrar agora. –Nos olhamos. Então ele se aproximou, perto demais pra minha confiança completamente abalável. Achei que fosse derreter de tão quente que estava, aquela aproximação era perigosa demais. Estava pronta a agir... Quando ele apenas abriu a porta pra mim.


-Fiquei com medo que emperrasse. –Ele disse. -Essa porta da problemas às vezes.


-Há, obrigado. –Reuni minhas forças para esboçar um sorriso e sair do carro. Acho que nunca me senti tão desesperada pra entrar em casa. Bati a porta da sala atrás de mim e respirei feito uma louca. Vovó e mamãe que estavam na sala vendo TV, viraram-se para olhar pra mim.


-Lexi tudo bem? –Minha mãe perguntou.


-Sim, eu só to cansada. –Dei essa desculpa.Estava suando f rio.


-Como foi o passeio? Jessie te levou aonde? –Vovó indagou. Levei um minuto até que eu consegui recobrar a compostura. Dei um suspiro longo de alívio e fui me sentar no sofá do lado dela.


-Bem, na verdade meu passeio foi com Johnny. –Disse completamente sem graça.


-Mas você saiu daqui com a Jessica querida. –Outra vez a minha mãe e seu interrogatório.


-Eu sei, fomos ao clube patinar no gelo. Mas Jess encontrou um namorado de uma amiga dela. E parece que o cara é um babaca, daí ela foi lá tirar satisfação com ele, enquanto eu tentei patinar. Mas quase cai. Sou péssima nos patins. –Lamentei.


-Nossa se machucou? –Vovó fez cara de preocupada.



-Não vó, o Johny me segurou. –Tranqüilizei a velha. -Daí ele me convidou pra sair dali, porque a Jessie estava mesmo empenhada em discutir com o tal do Mark. Então fomos a Roda Gigante de Londres. Tirei muitas fotos, depois eu mostro a vocês.


-Que legal querida. Jonathan é um bom rapaz. Que bom que estão se entendendo. –Minha vó disse.


-É, ele é muito legal. –Lembrei-me de quanto tinha me divertido, era fácil rir com ele, ou falar sobre tudo. Peguei-me sorrindo como uma boba.


-Ei, planeta Terra para Lexi... –Minha mãe estalou os dedos do meu ouvido. Isso me tirou do devaneio.


-Ai mãe. –Pus a mão no ouvido, o estalo me causou um eco chato.


-Você estava rindo feito boba pro nada. Parece que o encontro foi mesmo legal hem. –Ela disse com um sorriso irônico.


-Mãe para, não foi um encontro, foi uma saída de amigos. –Eu disse sendo convincente.


-Ta, se você diz. –Minha mãe disse tentando conter a risinho no canto dos lábios.


Dei um beijo nas duas e fui pro quarto. Tomei um banho e deitei na cama.Tentei dormir, mas não consegui. A aproximação com Johnny me deixou estranha. Ele mudou muito e eu percebi. Era tão fácil estar com ele. Eu podia jurar que mais cedo no carro, ele ia me beijar. Mas não, ele é só um amigo mesmo. Nem quis pensar muito. Logo eu ia voltar pros Estados Unidos e ele ia pra base aérea. Seria difícil da gente se ver depois disto. Acabei adormecendo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário